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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Oficina: Substituição de O-Rings

Para o 100º post, decidi abrir uma nova etiqueta, "oficina". Ao longo dos mais de 25 anos de coleccionismo de figuras e veículos Action Force/ G.I.Joe vários foram os problemas com que me deparei, e a partir de hoje vou partilhar alguma ideias e soluções para alguns desses problemas. Devo começar por referir que algumas desta soluções podem ser lógicas para alguns, mas a verdade é que ainda hoje surgem dúvidas para os coleccionadores mais modestos, menos habituados e menos "batidos" neste mundo de figuras. Para os demais artistas, deixo aqui o repto: Partilhem as vossas ideias, é sempre um prazer saber mais.      


Se as partes mais frágeis das figuras de ´82 a ´94 (e consequentes séries que aproveitaram o seu esquema de construção) eram plásticas - polegares e genitais(!!!) - cuja solução é virtualmente inexistente, o problema mais comum de uma figura em boa condição é sem sombra de dúvida o anel de borracha que prende o torso à cintura.

 Genialmente construídas desta forma para providenciar um maior e mais amplo leque de movimentos, dependem desta pequena borracha para existir como um todo. O seu tempo de vida ronda os 10 anos e se uma figura estiver exposta a grandes brincadeiras, pode ser reduzido para metade. Problema? Nenhum. Uma pequena intervenção de 5 minutos dará à vossa figura o mesmo aspecto com que a compraram.


Em tempos idos, para resolver isto cá em Portugal, e pelo menos no meio de entusiastas com quem cresci, usávamos elásticos de papelaria, dobrados em 8 umas quantas vezes até encontrarmos a tensão ideal. Claro que nem de perto nem de longe ficavam com o mesmo grau de resistência e substituir o elástico tornava-se uma tarefa quinzenal na melhor das hipóteses. Quando no final dos anos 90 a internet tornou o mundo numa aldeia global, encomendávamos sacos destes "O-Rings" dos estados unidos e os problemas ficavam resolvidos para uma década.


Hoje em dia, por valores que estão abaixo dos 2€, podemos comprar uma caixinha destas numa "loja de chineses" e assim manter um stock que nos permita sorrir quando um elástico parte ou se encontra no final de vida (se pegarem na figura pela cabeça e ela balancear da cintura para baixo). As medidas ideias para estas "juntas tóricas" são 17mm (diâmetro) x 2.4mm (espessura). Isto são de facto e não mais que acessórios de canalização usados para vedar. Se forem a uma casa da especialidade, compram 10 pelo preço de 30 ou 60, por isso, na próxima visita à "loja do chinês", comprem uma caixinha.


Depois de remover o anel de borracha antigo, temos a figura dividida em 3. Agora, é preciso abrir o torso para inserir o novo anel (O-Ring). Eu costumo fazer estes serviços numa base suave, de espuma. Pode ser um preciosismo, mas não gosto das minhas figuras com tinta lascada, e algumas são bem frágeis. Um pano por baixo ou material esponjoso serve perfeitamente.


Para isso vamos usar uma chave para cabeça philips. Ou ponteira philips como quiserem.


É importante ter a ferramente certa para o serviço, para não moer o parafuso que nem sempre está nas melhores condições e apresenta por vezes oxidação. Por isso, é importante assegurar uma boa conexação.


Podemos agora observar as diferentes partes que compõem uma figura vintage de G.I.Joe - A Real American Hero, ou Action Force da Hasbro, claro está. E o O-Ring pronto para o seu novo lar.


A 1ª fase da operação é encaixar o anel e com sucesso fazê-lo passar pela peça da cintura. Depois de engatado no gancho das pernas, apertamos o anel para que atravesse a peça da cintura que deverá estar perpendicular às pernas de modo a que passe sem esforço. E metade do trabalho estará feito!


A 2ª fase exige alguma calma, porque a tensão do anel pode provocar algum desespero nos iniciantes, mas ao fim de 2, 3 figuras já serão mestres na arte. Pegamos assim na parte das costas do torso, e inserimos o anel da zona do parafuso. Puxamos de forma a que a borracha passe o fosso de união com a cintura.


Esta é a fase que exige um pouco mais de atenção. Ao endireitar a parte de trás do torso de forma a ficar alinhada com as pernas, temos de a segurar porque a tensão do anel vai estar a produzir força. Mantendo a figura nessa posição, encaixamos os braços que devem ficar dobrados para baixo. Assim, não vão cair quando encaixarmos a frente do torso.


Nunca largando o conjunto que havíamos já montado, cuidadosamente colocamos a frente, sem encaixar completamente a frente na parte de trás. Porquê? Porque falta a cabeça.


Apoiando com uma mão o corpo do nosso "joe", encaixamos a cabeça num ângulo de 45º e mal ela entre no lugar, imediatamente fechamos a figura. Mas não convém largar, uma vez que ainda falta aparafusar...


Conforme aparafusamos, vemos com felicidade que a figura volta a ter a rigidez de movimentos no pescoço e cintura.


Como nova, e pronta para novas missões! Yo Joe! Ou neste caso... COBRAAAAAAAAAAA!!!